A democracia sob a ameaça real das fake news



Por Gabriela Totti


Diante do processo eleitoral, há uma grande preocupação em garantir que prevaleçam a transparência e a democracia. E, nesse contexto, nunca esteve tão em voga o debate sobre o impacto dos boatos e das fake news nos resultados nas urnas. É um tema presente nas discussões de 2020 — mas que vem desde 2016, a partir do caso da Cambridge Analytica, empresa acusada de usar informações de mais de 50 milhões de usuários do Facebook para manipular o processo eleitoral nos Estados Unidos.


Essa preocupação não é apenas dos americanos. Por aqui, a disseminação das fake news também tem tomado proporções alarmantes há anos. Pesquisa realizada em 2018 pelo Instituto Ipsos apontou que 62% dos entrevistados já acreditaram em notícias falsas — percentual bem acima da média mundial (48%). Mas, por que a preocupação é maior hoje se esse comportamento é antigo? Em razão da evolução da tecnologia, está mais fácil adulterar áudios e vídeos. Além disso, a propagação da notícia está mais rápida. Uma informação pode viralizar em alguns minutos por conta do incalculável número de interações entre bilhões de pessoas conectadas às redes sociais. E as redes sociais são a principal fonte de informação de muita gente: segundo levantamento da Reuters Institute, 53% dos brasileiros usam o WhatsApp como fonte de notícia.


Apesar de ser um comportamento constante, esse cenário fica ainda mais preocupante com a chegada das eleições. As fake news podem afetar o voto consciente do eleitor, manipulando a sua decisão por meio de informações inverídicas. Essa interferência ameaça a legitimidade do processo eleitoral, e põe em xeque a própria democracia.


O Tribunal Superior Eleitoral tem se empenhado no combate à desinformação, veiculando campanhas de alerta na mídia e disponibilizando canais de denúncias. A conscientização do eleitor é a principal arma para combater as fake news. Só ele tem o poder de frear a disseminação de notícias inverídicas e garantir a integridade do processo eleitoral. Esse caminho é longo, mas precisa ser trilhado — tendo como base a educação da população.


Gabriela é advogada e consultora em privacidade de proteção de dados na Biolchi Empresarial.

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