Artigo - Governança corporativa para gerar valor

Empresas são estruturadas para um fim claro: gerar valor. É natural, em seus ciclos, vencerem etapas de crescimento e atingirem a maturidade. Esse processo de maturação tem sido cada vez mais acelerado em razão das mudanças tecnológicas. São transformações que geram oportunidades que, a depender do insight do empreendedor, o fazem navegar em blue ocean. E, assim, prosperam com mais fluidez.



Inúmeras companhias, no entanto, não sobrevivem à expansão e fecham as portas antes mesmo de atingir o seu ápice. Negócios que não se concretizam como o esperado, planejamentos que não encontram respaldo na realidade e desorganização interna são algumas das razões para o encerramento precoce de empreendimentos - sobretudo pequenos - Brasil afora.


A perda da capacidade de produzir valor pode se dar por muitos motivos. Internamente, decisões equivocadas, problemas na estrutura de capital e desavença entre sócios estão entre os mais comuns. Políticas econômicas, transformações tecnológicas e crises setoriais são fatores externos que podem levar ao perecimento. O declínio é o prenúncio da crise, e seus sintomas podem ser detectados no coração da empresa: o caixa.


Estar atento aos sinais de perda de valor e se reinventar é crucial para manter-se e crescer em um mercado cada vez mais competitivo. É necessário ter um olhar fixo ao desempenho, à viabilidade operacional, à rentabilidade e à produção de caixa. É aí que entra a governança corporativa. Em outras palavras, o sistema pelo qual a organização é dirigida, monitorada e incentivada. Há diversos modelos consolidados que - ao contrário do que imagina o senso comum - não precisam ser caros e altamente estruturados. A melhor gestão é aquela que dá visibilidade à performance. Isso não é sinônimo de custo, mas de valor.


Atravessar crises é um dado normal na biografia dos negócios.


Preparar-se para elas, não. Muitas vezes, o empreendedor só a percebe quando a liquidez está comprometida - principalmente pela falta de ferramentas certas e de visão de futuro. Isso tem nome: inexistência ou inoperância de estruturas de governança. Em geral, sócios são operacionais demais para pensar estrategicamente. Essa conduta cobra um preço alto.


É preciso mudar de uma cultura pura e simplesmente operativa para estratégica, com visão e planejamento. Do micro para o macro. Somente assim poderemos evitar que bons negócios entrem em crise por razões evitáveis, percam suas capacidades de gerar valor - e, em casos mais agudos, desapareçam.


Juliana Biolchi - Sócia da Biolchi Empresarial


Artigo publicado em 26/02/2020 no Jornal do Comércio

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