Artigo: Prevenir é o melhor negócio

Juliana Biolchi, advogada e sócia do escritório Biolchi Advogados


Inúmeras empresas, Brasil afora, passam por dificuldades. Má gestão, falta de planejamento, briga entre sócios, problemas tributários, forte concorrência e baixa lucratividade são algumas das causas que levam à liquidação – muitas vezes precoce – de empreendimentos. A crise econômica dos últimos anos e a consequente retração do mercado agravaram o cenário, obrigando muitas companhias a recorrerem à recuperação judicial. De pequenas a gigantes, encontraram nesse instituto uma chance de salvaguarda para seus negócios.


No entanto, recente pesquisa do Observatório de Insolvência da PUC-SP aponta que apenas 18,2% das empresas paulistas acabam não indo à falência. Ou seja, é uma minoria que vence todas as etapas processuais, ganha fôlego, reestrutura-se e volta ao mercado. A maioria não tem a mesma sorte.


Além disso, quase 60% das companhias que optam pela recuperação judicial encerram os procedimentos sem capacidade de investimento e geração de caixa. Os indicadores são de São Paulo, mas a realidade se replica em todo o País. No Rio Grande do Sul, não é diferente: só em 2019, mais de 130 empreendimentos buscaram contornos na Justiça para evitar sua extinção.


Muitos dos que estão prestes a entrar em colapso avaliam que a recuperação judicial é a única saída – e um dos agravantes é que os executivos esperam demais para tomar essa decisão, quando a situação já está quase irreversível. Mas há outra forma? Como evitar que a crise leve à morte da empresa?


A reestruturação financeira, estratégica e operacional é um dos caminhos consistentes para trazer vida aos empreendimentos. Diagnosticar os problemas, promover auditorias, rever processos de gestão e ativar ferramentas para melhorar a performance interna são receitas para fugir da judicialização e dar eficiência fiscal e societária.


O grande desafio, portanto, está em antecipar o movimento do mercado e resguardar aquele que – notadamente – é o coração da companhia: o caixa. Para protegê-lo, é preciso ser eficiente e avançar em competitividade tecnológica, definir estratégias de inserção no mercado, qualificar a gestão de pessoas e melhorar os processos. Bem antes de a condição se tornar insustentável.


Em tempo: recorrer à Justiça é uma importante saída. Fundamental, muitas vezes. Mas, sem sombra de dúvidas, a prevenção ainda é o melhor negócio.


Artigo publicado no Jornal do Comércio

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