Criação e atuação do Comitê de Crise

No segundo post da série governança de crise (veja o anterior aqui), nossa equipe trata do papel da liderança, imprescindível para atravessar qualquer período de dificuldade, explicando o Comitê de Crise. Vamos lá.


O que é e quem participa

Quando a dificuldade bate à porta, o desafio é transformar o medo em ação, estar atento a cada nova informação, manter o foco nas prioridades, avaliar e reagir. Os principais gestores devem ser chamados à mesa. Esse é o papel do Comitê de Crise, instância de decisão que deve ser constituída para centralizar a governança, ou seja, para dirigir, administrar e controlar os impactos das dificuldades na empresa. O número ideal de pessoas é determinado pela complexidade da companhia, mas recomendamos que não passe de cinco. Uma boa medida é envolver quem decide nas três dimensões de atenção mais implicadas no momento: pessoas, caixa e operação, além de um representante dos sócios (se não estiverem na gestão) e o principal líder (diretor geral, presidente ou cargo que equivalha).

O comportamento

A atitude mental da liderança é importantíssima. O cenário é gravíssimo, em termos econômicos (o real tamanho do problema sanitário ainda não conhecemos), e desafiador, mas se atormentar, entendemos, é opcional. Todos estamos no mesmo barco. Há negócios que sofrerão menos, mas dificilmente alguém escapará ileso. Então, caçar culpados e colecionar tragédias não ajudará em nada. Os integrantes do Comitê devem adotar uma postura colaborativa e propositiva, porque é importante agir (e não apenas reagir). Erros de avaliação serão cometidos. Isso faz parte, mas é melhor errar planejando do que morrer por desistir.

A dinâmica de trabalho

Para dar objetividade ao Comitê, é importante ter foco, rotina e plano de ação. Criar um painel de indicadores (nas dimensões sugeridas) e realizar reuniões diárias é importantíssimo nesse cenário de Covid-19. Os encontros devem ter pauta, objetividade e hora para começar e acabar. Escolher um líder, monitorar os planos de ação, tomar decisões claras e fazer registro são muito importantes para uma boa gestão desse grupo.

Como se comunica

Transparência, responsabilidade corporativa, equidade e prestação de contas são os princípios da atuação do Comitê de Crise, não por acaso, são também da governança corporativa. Franqueza sobre a real situação, as inseguranças, o resultado sobre a operação, e tudo que está por vir, são balizas do comportamento de quem vai pilotar na turbulência. O Comitê de Crise deve ter um interlocutor que conversará com os demais setores da empresa e repassar todas as informações e decisões que estão sendo tomadas. Manter a organização ciente do que está acontecendo e de que, mais ainda, há um controle mínimo da situação, é extremamente importante para disseminar tranquilidade e comprometer as pessoas.

Colocando em prática

Uma vez instalado, o Comitê de Crise deve ser o responsável por elaborar (“para ontem”) o Plano de Contingência. Uma vez construído o PC (de maneira simples e objetiva, porque precisa ser prático), o Comitê será o encarregado de monitorar a execução, revisar dados, retomar decisões, rever estratégias. Enfim, pilotar a empresa na crise, com o objetivo de garantir a sua continuidade.


É importante compreender um pouco melhor essa ferramenta e o que ela deve contemplar e esse é o tema do nosso post de amanhã. Acompanhe.

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