Demanda por recuperação judicial cresce 118% em 2016, afirma SCPC

Economista explica que entre as causas do recorde histórico estão o prolongamento e a ampliação da crise da economia brasileira. Maior parte dos pedidos foi feito por Micro e Pequenas empresas.


Os números são organizados pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (Boa Vista SCPC). Em 2016, foram encaminhados ao Judiciário quase mil pedidos de recuperação judicial (RJ). O número significa 118,5% mais que no primeiro semestre do ano passado, que teve 492 requerimentos. E os pedidos de falência também cresceram. Foram 869, entre janeiro e junho de 2016, 26,5% mais pedidos do que na primeira metade de 2015.

Segundo o economista Antônio Carlos Fraquelli, o gráfico reflete a gravidade da crise econômica que o país enfrenta. Ele projeta mais um ano de recessão da economia brasileira e, segundo ele, para reverter o quadro "é preciso reconstruir a indústria, preservar o fôlego do agronegócio e sinalizar a possibilidade de algum avanço nas reformas econômicas". Fraquelli afirma, ainda, que a recuperação judicial "é a solução que se apresenta ao gestor face à dificuldade de reversão o cenário econômico em curso".

A advogada especializada em recuperação de empresas, Juliana Biolchi, afirma que a crise é também uma oportunidade. Ela avalia que com o aumento nas demandas judiciais por recuperação e falência, podem surgir empreendimentos mais fortes. "Trabalhamos na perspectiva de que uma recuperação judicial pode criar inúmeras possibilidades para as empresas, seja com novos negócios ou nova estrutura na organização. Ao mesmo tempo, quando trabalhamos com falências, o fim de uma empresa, bem encaminhado, pode criar novas oportunidades de mercado", explica. A advogada é categórica: "precisamos ver a oportunidade na crise, seja de melhorar ou de mudar, o importante é construir saídas concretas e viáveis".

Micro e pequenas empresas são as que mais recorrem à recuperação judicial, quase 58% do total. Enquanto 26,6% foram de empresas médias e as grandes empresas ingressaram com 15,3% do total. O setor com mais pedidos de recuperação, segundo os dados da Boa Vista SCPC, é o comércio, que representa 43% dos pedidos, seguido pelo setor de serviços com 31% e a indústria, que ingressou com 26% do total registrado até junho de 2016. Com relação a falências, o setor de serviços vem primeiro (40%), seguido pela indústria (34%) e o comércio (26%).

Juliana ainda ressalta que a decisão pela utilização de instrumentos judiciais significa que todos os envolvidos no processo são chamados a dar sua contribuição para que a recuperação atinja seus objetivos e seja a melhor possível. Segundo ela, "este é o desafio que se apresenta diante do crescimento desta demanda", conclui.


Tags: Juliana Biolchi Recuperação Judicial

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