Depois de recorde, número de pedidos de recuperação judicial tende a estabilizar no segundo semestre

Advogados e economistas esperam que em 2017 o número total de pedidos de recuperação judicial fique estável, mesmo depois do recorde registrado em 2016.



De acordo com a advogada Juliana Biolchi, especialista nesse tipo de processo, que tem por meta recuperar a saúde financeira de empresas e preservar atividades econômicas, a recuperação da economia vai ser mais lenta do que o necessário para resolver problemas gerados pela situação econômica do país. A especialista também avalia que entre as principais dificuldades está a "negativa dos grandes bancos em continuar rolando dívidas de grandes empresas, que não apresentam melhora nas condições de pagamento", enfatiza.

Segundo a agência de notícias Reuters, um dos setores que pode liderar a lista de pedidos é o da construção civil. A agência afirma que espera para logo anúncio de recuperação de "construtoras e incorporadoras, empresas da cadeia de óleo e gás e unidades de conglomerados investigados pela operação Lava Jato". Juliana acredita que, diferente de 2016, quando o maior volume de processos era de pequenos e médios negócios, esse ano o maior fluxo vai ser de pedidos de grandes empresas. "Devemos ter mais casos de gigantes em recuperação judicial, como foi com a Oi ou a Set Brasil e o principal motivo é a disposição de bancos credores em executar dívidas que vinham sendo renovadas e adiando o procedimento jurídico de recuperação", avisa Juliana, que também pontua a influência das investigações da Operação Lava Jato na crise das grandes empresas.

A especialista argumenta que o número de pedidos de recuperação deve continuar alto, mas aposta na tendência de que não aumente em 2017, no comparativo com o ano passado. "Os especialistas da área econômica tem avaliado que se o fim do período de recessão. É esperado que o mundo empresarial reflita essa realidade, encontrando soluções para as pendências financeiras das corporações", pondera Juliana.

Problemas econômicos do país e fortalecimento da legislação são as principais causas do aumento dos pedidos



Em 2016, a Justiça recebeu 713 pedidos de empresas do setor de serviços, 611 do comércio e 446 da indústria. Os números integram indicador Serasa Expirian, que mostra 600 pedidos a mais que em 2015. Do total de pedidos, 81,2% foram deferidos pela Justiça, índice praticamente igual ao do ano anterior. O setor de serviços lidera o ranking de processos iniciados no ano passado. Ao todo, mais de 1800 empresas recorreram ao dispositivo legal que tem o objetivo de salvar empreendimentos em dificuldades financeiras.

Segundo Juliana, a procura se intensificou graças ao fortalecimento da legislação (Lei 11.101/2005), e principalmente "por ser uma ferramenta viável para a difícil tarefa de sanar problemas econômico-financeiros em tempo de recessão". A advogada também informa que além de empresas em crise financeira, "aquelas que enfrentam problemas como falta de liquidez, baixa de rentabilidade ou que estejam em situação patrimonial que precise readequação planejada de sua atividade podem apresentar pedido de recuperação".

De acordo com o indicador, as micro e pequenas empresas foram as mais afetadas por dificuldades financeiras em 2016. Elas representam mais de 60% do total de pedidos. As médias são responsáveis por 25% e as grandes somam quase 14%. Em 2015, as grandes representaram quase 20% do total de pedidos e as micro e pequenas foram 53% dos casos. A mudança mostra que quanto mais demoramos para vencer a crise macroeconômica, mais dificuldades os empreendimentos menores enfrentam, isso em virtude de sua já conhecida vulnerabilidade", analisa Juliana.



Tags: direito empresarial recuperação judicial crise recorde expectativa

análise 2017 Análise

VOLTAR
  • Facebook
  • Telegram