Desafios para 2021: perspectivas e prioridades


Adriano José da Silva - adriano.silva@biolchi.com.br


Muitos especialistas apontam que a retomada do crescimento pode estar em xeque com o fim abrupto dos estímulos governamentais que deram fôlego à economia brasileira. Essas críticas, no entanto, são consideradas infundadas pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia — que alega que esse processo está ocorrendo há mais tempo, de forma gradual.


No caso do Auxílio Emergencial, o benefício estava previsto para durar três meses — entre abril e junho —, ajudando milhões de brasileiros com R$ 600 mensais e , no caso de mães solteiras com filhos pequenos, com o dobro. No entanto, durante o pico da pandemia, o governo decidiu continuar oferecendo o auxílio. Primeiramente, prorrogou a vigência por mais dois meses — até agosto —, e, sem perspectivas da chegada da vacina, anunciou mais quatro parcelas entre os meses de setembro e dezembro. Só que, desta vez, o valor cairia pela metade, ficando em R$ 300 por mês. Não foi uma interrupção brusca, mas algo gradativo e amplamente divulgado — ainda mais se considerarmos o reforço anunciado para o Bolsa Família em 2021.


Mesmo com o fim do auxílio, a projeção do governo aponta um crescimento de 3,2% do PIB em 2021, em linha com a expectativa do mercado. A força da retomada econômica estará fortemente atrelada a três variáveis: crédito, consolidação fiscal e emprego. Com o afrouxamento dos protocolos de isolamento social, as atividades do setor informal serão impulsionadas e a taxa de ocupação deve voltar aos patamares pré-crise.


No Congresso Nacional, a PEC da reforma administrativa tem potencial para gerar economias entre R$ 673 bilhões a R$ 816 bilhões em dez anos. E, para além da questão fiscal, ela corrige uma importante distorção alocativa no mercado de trabalho. Estudos apontam que uma reforma administrativa que reduzisse o prêmio salarial público-privado de 19% para 15%, além de alinhar a aposentadoria dos trabalhadores do setor público com a do setor privado, poderia aumentar o PIB em 11,2% no longo prazo.


Além dessa reforma, tramitam a ambiciosa agenda que busca eficiência das garantias para gerar um aumento sustentável do crédito para empresas e famílias e a aprovação do Patrimônio Rural em Afetação — que permite o fracionamento da propriedade rural para fins de garantia. E, também, as aguardadas adequações do Pacto Federativo e a Emergência Fiscal e Fundos. O Ministério da Economia também aposta na política de privatizações e concessões, com foco na Eletrobrás e nos Correios em 2021.


São perspectivas que darão fôlego para o pós-crise, mas que dependem das eleições das mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal para serem consolidadas. Afinal, o que será prioridade: a agenda econômica de Guedes ou a “guerra cultural” de Bolsonaro? No Brasil, o óbvio precisa gritar mais alto: a economia depende da política e a política depende da liderança dos agentes, começando pelo Poder Executivo.


Administrador e sócio da Biolchi Empresarial


Texto originalmente publicado na coluna Opinião, do Jornal Pioneiro do Grupo RBS, em 13/01/2021.

VOLTAR
  • Facebook
  • Telegram