Empresas zumbis serão eliminadas do mercado


Juliana Biolchi


“Mês que vem tudo vai melhorar”. “É só uma fase, vai passar”. “Minha empresa não está em crise. A culpa é do governo, que cobra impostos altos demais”. Quem trabalha com empresas em dificuldade está acostumado a ouvir esse tipo de depoimento. É a clássica atitude de negação: o empresário sabe que não é tão simples assim, mas cria mecanismos mentais para não enxergar a realidade. O problema é que, muitas vezes, essa atitude cobra um preço muito caro. Quando a ficha cai e ele busca ajuda, a crise já avançou o suficiente para ser quase irremediável. Muitas vezes, sobram poucas alternativas.


Porém, as coisas mudaram. A reforma na Lei de Recuperação de Empresas, agora, exige um comportamento de prevenção. A ordem é parar de procrastinar e eliminar as empresas zumbis, que só trazem ineficiência para a economia. Aos poucos, com o resultado aparecendo, espera-se uma transformação cultural que induzirá os empresários a agirem antecipadamente.


A partir do momento que se entende essa alteração de rota, fica fácil compreender por que as mudanças na lei trouxeram mais força para os credores. O mercado passa a ter meios de se depurar mais rapidamente, com instrumentos eficazes de negociação fora do Judiciário ou por caminhos extrajudiciais.


Sob a perspectiva do devedor, a virada de chave é mais do que necessária. A insistência na gestão de mortos-vivos prejudica o sistema de recuperação como um todo. Isso porque retarda a decisão de buscar ajuda e impacta na imagem de quem recorre aos meios legais mesmo com possibilidades de sobrevivência, mas acaba sendo isolado porque cai na vala comum. Então, se você é empresário e está tentando não ver a realidade, repense. Vida é movimento. E ficar parado, convivendo com a decadência, custará um preço muito alto.


Advogada e sócia-diretora da Biolchi Empresarial


O artigo foi originalmente publicado no Jornal do Comércio, no caderno Jornal da Lei, no dia 15/02/2021.


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