Novo Normal e o Mundo V. U. C. A.




Por Adriano José da Silva, sócio-diretor da Biolchi Empresarial


O exército americano já usava a sigla VUCA para descrever a volatilidade (volatility), a incerteza (uncertainty), a complexidade (complexity) e a ambiguidade (ambiguity) nas diversas situações e contextos de guerra. O uso militar dessa sigla começou no final dos anos 90 para tratar das ferramentas e métodos necessários para fazer frente a um ambiente extremamente agressivo e desafiador. Após os atentados terroristas desde 2001, os contextos VUCA passaram a ser o novo “normal” no ambiente militar americano.


O uso no mundo dos negócios é mais recente, começou a ser usado a partir de 2010, mas não difere do pensamento militar, afinal, o ambiente empresarial na atualidade também é agressivo, desafiador, competitivo e veloz, ou seja, esse também é o novo “normal” das organizações de qualquer natureza.


A VOLATILIDADE, corresponde a velocidade em que ocorrem as mudanças e seus impactos. Atualmente nada é permanente e as tecnologias, preferências, tendências e certezas são inconstantes e altamente mutáveis. Aquilo que ontem era de um jeito, amanhã já é de outro. E essa volatilidade faz com que o mundo empresarial seja bastante desafiador. Essa característica indica a magnitude das mudanças, que podem ser maiores e mais surpreendentes.


Por sua vez a INCERTEZA, tem relação com a dificuldade de fazer previsões, o futuro está difícil de ser analisado. Tal incerteza se deve a falta de base e experiências acontecidas no passado, o que impossibilita ter a clareza necessária para prever o futuro. Existem muitas dúvidas, as indecisões são predominantes e os conhecimentos suscitam mais dúvidas que certezas. 


Do mesmo modo a COMPLEXIDADE, tornou-se muito comum encontrar contextos que possuem múltiplos aspectos ou elementos cujas relações de interdependência são incompreensíveis ou confusas. As respostas para o mundo são muito difíceis assim como as relações são diferentes. Não se pode dizer que existe apenas uma resposta correta, mas sim diversas possibilidades de respostas para as situações. Essa característica mostra que existem diversos fatores internos e externos que podem afetar o negócio e que, muitas vezes, estão fora do controle do gestor.


Assim como a AMBIGUIDADE, existe diversas possibilidades e uma quantidade diferente de caminhos, porque a natureza das ambiguidades pode assumir diversos sentidos. Existem muitas respostas para a mesma pergunta sem necessariamente apresentar uma melhor solução. Pelo fato de existir tantas incertezas e falta de clareza no mundo empresarial, torna- se cada vez mais difícil encontrar uma coerência nos acontecimentos em busca da melhor solução, o que pode gerar más interpretações e falsas respostas. Não é mais “isso OU aquilo”.


O “Novo normal” é uma expressão cunhada por Mohamed El-Erian para caracterizar o fato de que esta crise não é como as que vivemos nas últimas décadas, com repercussões basicamente cíclicas, mas uma crise que provocará uma ruptura estrutural: quando ela passar e as coisas voltarem ao normal, esse não vai ser o mesmo normal de antes. Não reconhecer isso é arriscar a surpresa de se planejar para a volta do normal anterior e se descobrir numa realidade bem diferente.


Por fim, todo o cenário atual decorrente da pandemia oferece uma oportunidade ímpar de redesenharmos o futuro da educação, da saúde, da gestão, da economia, da política, das relações internacionais, nacionais e regionais. Se sairmos dessa crise simplesmente mais resilientes, estaremos assumindo nossa incapacidade de mudar, aprender e colocar em prática o que se discute há anos em termos de inovação, colaboração, compartilhamento e sustentabilidade. Precisamos aceitar o novo normal e temos a obrigação de sairmos dessa pandemia melhores.  Artigo originalmente publicado no jornal O Nacional

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