O vírus da desinformação


Por Gabriela Totti*


O fenômeno das fake news não é uma novidade. Porém, estamos vivendo em uma pandemia, e as consequências geradas por este tipo de conteúdo tornam-se ainda mais graves. Notícias falsas — como a suposta criação do vírus em laboratório chinês e os medicamentos milagrosos — “viralizam” na internet, prejudicando o combate à Covid-19.

Como o contágio do novo coronavírus, a disseminação das fake news perdeu o controle. Através das redes sociais, avança sem nenhum obstáculo por conta dos compartilhamentos — sejam bem intencionados, sejam com segundas intenções — que acontecem em uma velocidade impressionante. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts aponta que a propagação dessas informações chega a ser 70% mais rápida do que a de notícias reais. Elas costumam ser impulsionadas por grupos radicais que atuam, muitas vezes, por questões políticas e se apropriam bem dos receios da população.

O cenário de desinformação contribui para o colapso que estamos vivendo neste início de 2021. Cientistas e profissionais da saúde, já sobrecarregados, precisam enfrentar o descrédito na ciência e na medicina. Sentem-se no dever de esclarecer notícias falsas enquanto encaram horas de trabalho, falta de leitos e equipamentos, além da tristeza de perder milhares de pacientes.

Por isso, o papel do cidadão hoje, além de cumprir os protocolos de higiene e distanciamento social, é lutar contra as fake news — assim como os profissionais da saúde lutam para salvar vidas. É preciso responsabilidade ao dividir informações entre amigos e familiares, verificando a confiabilidade da fonte. As consequências de espalhar notícia falsa podem ser devastadoras. Educação digital e estímulo ao senso crítico são pautas urgentes: sem ter certeza, não compartilhe!


Artigo originalmente publicado no Jornal NH, em 25/03/2021.


*Advogada e consultora em privacidade e proteção de dados na Biolchi Empresarial