Primeiras decisões diante da crise podem influenciar sobrevivência das empresas




Juliana Biolchi, diretora da Biolchi Empresarial, explicou em entrevista à Rádio Diário AM 780, que no que tange a crise ocasionada pela pandemia de Covid-19, a realidade da região é diferenciada. Ainda que algumas empresas estejam passando por dificuldades, a incidência não é tão expressiva como em outras regiões do Rio Grande do Sul, como na capital, por exemplo. “Na nossa região é um pouco diferente muito por causa do agro, que apesar da estiagem foi beneficiado pela alta do dólar. Não tivemos um fechamento tão significativo como em centros maiores. Em Porto Alegre, onde há medidas mais intensas há mais tempo a situação é mais grave. Pequenos comércios, setores atrelados a circulação de pessoas estão tendo um impacto maior”, argumentou.

As empresas que adotaram medidas precoces para proteger seu caixa estão tendo menos dificuldades agora, conforme ela. “Isto está fazendo a diferença. Há uma crise generalizada que atinge diversos setores, mas ela não atinge de maneira igual a todas. Quem está mais preparado, quem adotou meios de gestão mais robustos no início está se saindo melhor agora. Vemos também que alguns negócios que já tinham problemas anteriores estão sendo muito mais impactados, inclusive com dificuldades em acessar as linhas de crédito. São estes que estão convalescendo”, citou ela, referindo-se aos casos em que há necessidade de recuperação judicial. Segundo a diretora, além deste tipo de processo, há outros que podem ser utilizados para o mesmo propósito e até demoram menos tempo. A recuperação extra judicial, por exemplo, onde a negociação é feita diretamente com os credores, alinhavando com eles um cronograma de pagamento conforme as possibilidades.

Se conseguir adesão de 60% e o processo é levado ao juízo, os outros 40% são obrigados a aderir. Sobre a possibilidade de suspensão de contratos com funcionários tendo que garantir os postos de trabalho depois, Juliana avaliou que pode significar um adiamento do problema, já que os prazos estão encerrando e a crise não passou.

“É como deixar de pagar a prestação do banco, você adia para o futuro, mas em algum momento será preciso absorver este passivo. Por isso que pregamos que é necessário se antecipar, ter olhos para identificar as falhas”, colocou. Questionada se a decretação da falência pode ser uma opção, a diretora da Biolchi empresarial concordou. “Muitas pessoas vão abandonando o CNPJ quando a empresa vai indo mal. Vai parando a atividade e deixando a coisa solta gerando uma dissolução irregular. Neste caso as dívidas se voltam para os sócios. Para não incorrer neste problema, considerando que a empresa não tenha ativo suficiente, o melhor caminho é a autofalência. É uma alternativa razoável”, considerou.


Matéria publicada na íntegra no Jornal Diário da Manhã.



VOLTAR
  • Facebook
  • Telegram