Proteja-se do cisne negro



Por Juliana Biolchi, sócia da Biolchi Empresarial


Você já viu um cisne negro? Se a pergunta fosse direcionada a um europeu até fins do século 17, a resposta seria "não". Isso porque a ave só foi vista por olhos ocidentais em 1697, após uma expedição holandesa no continente australiano. No Velho Mundo, havia apenas espécies brancas. Essa analogia foi utilizada pelo escritor Nassim Nicholas Taleb para definir acontecimentos históricos improváveis e imprevisíveis.


Com a pandemia do novo coronavírus, estamos diante de um cisne negro. Mas o ineditismo não está apenas na letalidade da doença, ou em sua rápida capacidade de proliferação. Os maiores impactos estão nas medidas para impedir o avanço da contaminação: suspensão de voos, adiamento de eventos, cancelamento de aulas e quarentenas.


A preocupação com o aspecto econômico não é menos importante do que as questões sanitárias. Pelo contrário: se tomada pelo pânico, a atividade produtiva pode paralisar e causar um dano ainda maior à sociedade. Esse shutdown é o grande cisne negro. Segundo previsão de especialistas, esse ciclo deve durar cerca de quatro ou cinco meses.


Crises são absolutamente normais. O que mudam, nesse caso específico, são a intensidade e a dúvida sobre o tempo necessário para que as coisas voltem ao normal. E para se preparar para isso, o foco das empresas precisa estar na blindagem e na garantia de um nível seguro de caixa. Nesse contexto, é fundamental ter um plano de contingência para enfrentar a crise.

Cautela, disciplina e estratégia serão palavras-chave a partir de agora.

A saúde dos colaboradores, parceiros e clientes vem em primeiro lugar. Mas, da mesma forma, é preciso ter um cuidado especial na garantia das margens, cortando custos e despesas. É hora de revisar práticas e ajustar-se, sempre utilizando a tecnologia e o conhecimento.


Com o tempo, segundo Taleb, as pessoas procuram fazer com que o cisne negro pareça mais previsível do que ele realmente era. Talvez este episódio marcante pelo qual estamos passando sirva para que as empresas sejam mais resilientes, com processos inovadores e uma mentalidade de prevenção e superação de crises.


Artigo publicado em GaúchaZH.

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