Adriano José da Silva - Travessia




A pandemia chegou. Chegou para testar os valores do ocidente e a capacidade de respostas: questionar hábitos de consumo e estilos de vida, valores sociais, a fé, a perseverança, a solidariedade, as crenças e os credos, das gerações passadas, da atual geração e das próximas gerações de homens e mulheres.

É a primeira vez na história, que as informações são disseminadas em tempo real, as pessoas podem opinar, comentar, interagir, fazer “lives” com qualquer cidadão do globo em qualquer horário, país, etnia. A tecnologia, derrubou as fronteiras físicas e estamos todos conectados.

Os avanços da tecnologia, as oportunidades criadas, aumentos de produtividades, resultados financeiros, metas alcançadas, prêmios e bonificações recebidos, horas e horas de trabalho, devoção ao resultado, não ver os filhos crescerem, é o que tem movido as famílias, homens e mulheres nós últimos 30, 40 anos.

Neste momento, onde o que realmente vale e tem importância, é a capacidade de discernir o que é a vida real, da vida das redes sociais, o que entender e conhecer o básico, sobre a divisão do estado brasileiro, união, estados e municípios, e quais são os três poderes, executivo, legislativo e judiciário, talvez, mesmo não tendo votado, em nenhum dos escolhidos, são eles que a democracia brasileira escolheu para liderar, em tempos de bonança e em tempos de escassez.

Nosso país e nossa população, nunca enfrentou um desafio dessa magnitude, estamos sendo testados ao limite de nosso convívio social ou até mesmo distanciamento social. A década de desenvolvimento econômico e social, prometida talvez não venha, assim como a década passada, pode ser que a próxima também não aconteça.

Precisamos falar da nossa aldeia, dos impactos sociais na saúde, na assistência social, na educação e o impacto econômico em nossa cidade. Faz necessário reconhecer o esforço dos profissionais da saúde, enfermeiros, enfermeiras, médicos, médicas, técnicas e técnicos de enfermagem, farmacêuticos e farmacêuticas que estão na linha de frente, no atendimento direto da população, é importante questionar: esses profissionais, possuem os equipamentos de proteção individual (EPI’s), necessários e em quantidades suficientes?

Na assistência social, os assistentes sociais, os coordenadores e monitores de atividades, os cozinheiros e cozinheiras, os conselheiros tutelares que cuidam das crianças das acolhidas institucionalmente, estão sendo assistidos de maneira adequada e possuem os EPI’s necessários? Aos professores e professoras, da rede pública municipal e estadual, receberam a formação continuada e a estrutura necessária, para exercer o desafio de ensinar com a tecnologia do ensino a distância?

Essas perguntas não podem ser respondidas nesse momento, mas com certeza deverão ser objetos de processos de melhoria contínua, e fazer parte de planejamento de longo prazo por parte do poder público, pois pandemias, não poderão mais serem ignoradas.

O momento é de escolher, escolher em quais fontes jornalísticas acreditar, em quais mídias acessar, qual é o canal que mais me identifico, como interpretar os dados, analisar as informações divulgadas, buscar o conhecimento para fazer a melhor escolha, pois cada escolha representa uma renúncia.

Fazer a travessia, não significa ter lado político partidário, não concordar com o posicionamento do presidente da república, do governados do estado ou o prefeito da cidade, não é ser do outro lado, vivemos em mundo conectado, real e virtual, ao não concordar, não quer dizer que sou do outro lado, pode ser que simplesmente um não estar confortável e seguro com o que se diz, fala e escreve.

A travessia, exigirá, perseverança, fé, maturidade, capacidade de dialogar, disciplina, empatia, serenidade e muita sabedoria de todas as partes.


Adriano José da Silva

Sócio-diretor de Relações com o Mercado


Publicado no jornal O Nacional, de Passo Fundo

VOLTAR
  • Facebook
  • Telegram